segunda-feira, 26 de outubro de 2026
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Manguezais do Recife sobrevivem em meio à maior área urbana do Nordeste

Os manguezais do Recife formam uma das principais áreas naturais protegidas da cidade. Localizado entre Pina, Boa Viagem e Imbiribeira, o Parque Natural Municipal dos Manguezais Josué de Castro preserva áreas de reprodução de espécies, ajuda a proteger a costa e oferece possibilidades de educação ambiental e visitação controlada.

Os manguezais do Recife formam uma das maiores áreas naturais preservadas dentro da malha urbana da capital pernambucana. Cercado por avenidas, bairros densamente ocupados e canais, o ecossistema ocupa uma posição estratégica na Zona Sul da cidade e mantém funções ambientais importantes para toda a região metropolitana.

O principal núcleo protegido é o Parque Natural Municipal dos Manguezais Josué de Castro, localizado entre os bairros do Pina, de Boa Viagem e da Imbiribeira. A unidade tem 320,34 hectares e está inserida no complexo estuarino formado pelos rios Capibaribe, Jordão, Pina e Tejipió, conforme a regulamentação municipal consultada no Decreto nº 25.565/2010.

Apesar da urbanização intensa ao redor, o mangue continua funcionando como abrigo para espécies, área de alimentação e reprodução de organismos aquáticos e barreira natural contra impactos que atingem a costa. Para quem vive ou visita o Recife, entender esse ambiente ajuda a compreender a relação histórica da cidade com os rios, as marés e os terrenos alagados.

O que são os manguezais do Recife

O manguezal é um ecossistema costeiro de transição entre o ambiente terrestre e o marinho. Ele se desenvolve em áreas influenciadas pelas marés, com água salobra, solo lodoso e baixa disponibilidade de oxigênio. As plantas que vivem nesse ambiente possuem adaptações específicas para suportar a salinidade e os períodos de alagamento.

No Recife, os manguezais aparecem principalmente nas margens e ilhas dos estuários. O encontro entre a água doce dos rios e a água salgada do oceano cria condições favoráveis para a formação de áreas de abrigo e alimentação de peixes, crustáceos, moluscos e aves.

O Ministério do Meio Ambiente destaca que os manguezais também contribuem para a proteção da linha de costa, a manutenção da biodiversidade, a segurança alimentar e a geração de renda para comunidades que dependem da pesca artesanal e do extrativismo.

Onde fica o Parque dos Manguezais

O Parque Natural Municipal dos Manguezais Josué de Castro está na porção sul do Recife, em uma área influenciada pelos rios Jordão, Pina e Tejipió, além da conexão com o complexo do Capibaribe. A unidade se estende por áreas próximas ao Pina, à Imbiribeira e a Boa Viagem.

A maior parte do parque tem características aquáticas. A área inclui braços de rios, canais, ilhas e trechos de vegetação adaptada às marés. Por isso, o espaço não deve ser compreendido como um parque urbano convencional, com acesso livre a todos os pontos, calçadas contínuas e equipamentos distribuídos por toda a extensão.

A legislação municipal prevê diferentes zonas de manejo, com regras específicas para proteção, recuperação, pesquisa, educação ambiental e visitação. O decreto que regulamenta a unidade estabelece, por exemplo, que algumas áreas podem receber visitação controlada, trilhas, sinalização, mirantes e pontos de descanso, enquanto outras devem permanecer submetidas a regras mais restritivas.

Por que o mangue é importante para a cidade

A presença do manguezal em uma área urbana tem efeitos que ultrapassam os limites da vegetação. O ecossistema ajuda a reter sedimentos, reduz a erosão das margens e cria áreas de amortecimento em uma cidade cortada por rios e canais.

O mangue também funciona como berçário natural. Muitas espécies utilizam o ambiente durante fases iniciais do desenvolvimento, quando encontram alimento e proteção contra predadores. Depois, parte desses animais se desloca para áreas costeiras ou marinhas.

Outro serviço ambiental está relacionado ao armazenamento de carbono. A vegetação e o solo dos manguezais acumulam matéria orgânica ao longo do tempo. Essa característica faz com que a conservação do ecossistema seja considerada uma medida importante para aumentar a resiliência das cidades costeiras diante de eventos extremos e das mudanças climáticas.

Na prática, preservar o mangue significa manter áreas naturais capazes de desempenhar funções que seriam difíceis e caras de substituir por obras de engenharia. A vegetação não elimina riscos de alagamento ou erosão, mas contribui para reduzir vulnerabilidades quando permanece conectada aos rios e às marés.

Como o manguezal convive com a urbanização

A história do Recife está ligada à ocupação de áreas próximas à água. A expansão urbana transformou margens, aterrou terrenos e alterou cursos d’água. Mesmo nesse cenário, fragmentos de mangue permaneceram em áreas onde a dinâmica das marés e a dificuldade de ocupação ajudaram a conservar a vegetação.

Essa permanência, no entanto, não significa que o ecossistema esteja livre de ameaças. O manguezal urbano sofre com o lançamento irregular de resíduos, a poluição da água, a ocupação de áreas ambientalmente frágeis, a supressão vegetal e a alteração dos canais.

A própria Prefeitura do Recife informa que a Brigada Ambiental atua na fiscalização de manguezais, corpos d’água, áreas de mata e ocorrências como descarte irregular de resíduos, aterros, cortes de vegetação e poluição de rios e lagos. O tema também é tratado no conjunto de normas ambientais e urbanísticas do município.

Em áreas de recuperação, a restauração pode envolver a retirada de resíduos, a desobstrução de canais, a recomposição da vegetação e o acompanhamento das condições de salinidade e de maré. O resultado depende tanto da ação do poder público quanto da redução dos impactos gerados no entorno.

É possível visitar os manguezais do Recife?

O Parque Natural Municipal dos Manguezais Josué de Castro foi concebido para permitir atividades de pesquisa, educação ambiental, interpretação da natureza, recreação de baixo impacto e turismo ecológico. A regulamentação prevê visitação controlada em determinadas zonas, mas isso não equivale à liberação irrestrita de toda a área.

Antes de planejar uma visita, é recomendável confirmar com os canais oficiais da Prefeitura do Recife se há atividade aberta ao público, roteiro autorizado, necessidade de acompanhamento, ponto de embarque ou regra específica para o período. A disponibilidade pode variar conforme maré, segurança, obras, ações de recuperação e condições ambientais.

Também é importante não entrar em áreas sinalizadas como restritas, não circular sobre a vegetação, não retirar mudas, sementes, conchas ou animais e não alimentar a fauna. Em áreas alagadas, o deslocamento sem orientação pode causar acidentes e compactar o solo do mangue.

Quando houver passeio autorizado, a melhor opção é seguir as orientações dos responsáveis pela atividade e escolher meios de transporte e roteiros de baixo impacto. A observação deve ser feita à distância, sem perseguir animais ou produzir ruídos excessivos.

Cuidados para conhecer o mangue com responsabilidade

Quem participa de uma atividade de educação ambiental ou visitação em manguezal deve adotar medidas simples:

  • levar de volta todo o lixo produzido;
  • não descartar plásticos, restos de comida, óleo ou qualquer outro resíduo na água;
  • usar calçados e roupas adequados para áreas úmidas, quando a atividade autorizada exigir;
  • evitar tocar ou capturar animais;
  • não cortar galhos nem pisar em raízes, mudas ou áreas de regeneração;
  • respeitar as zonas de acesso e as orientações da equipe responsável;
  • evitar o uso de caixas de som e outros equipamentos que provoquem ruído intenso;
  • não divulgar a localização de ninhos ou animais vulneráveis quando isso puder estimular aproximação indevida.

Essas condutas são especialmente importantes porque o mangue pode parecer resistente, mas possui equilíbrio delicado. A passagem frequente de pessoas fora das trilhas pode danificar raízes, alterar a drenagem do solo e impedir o crescimento de plantas jovens.

Outras áreas com presença de mangue

O Parque dos Manguezais é a principal referência, mas não é o único espaço do Recife associado a esse ecossistema. A cidade possui outras unidades protegidas com áreas úmidas, canais, rios e fragmentos de vegetação adaptada à influência das marés.

A Lagoa do Araçá, na Imbiribeira, por exemplo, é uma unidade de conservação municipal que abriga vegetação típica de manguezal e funciona como habitat para aves. Informações do portal ambiental da Prefeitura do Recife descrevem o local como a única lagoa natural da cidade.

Também existem áreas de interesse ambiental relacionadas ao estuário do Capibaribe, à Ilha do Zeca, ao rio Jordão e a outros corpos d’água. A proteção de cada espaço depende da categoria da unidade, do zoneamento e das regras previstas em seus instrumentos de gestão.

Como ajudar na preservação

A conservação dos manguezais não depende apenas de grandes projetos. A população pode contribuir evitando o descarte de resíduos em canais e margens, reduzindo o uso de plásticos descartáveis e comunicando ocorrências ambientais aos órgãos públicos.

Outra forma de participação é apoiar iniciativas de educação ambiental, respeitar áreas protegidas e valorizar atividades conduzidas por instituições, pesquisadores e comunidades que trabalham com recuperação do mangue. O conhecimento local de pescadores, marisqueiras e moradores das áreas estuarinas também faz parte da história e da conservação desses territórios.

É importante ainda diferenciar ações de limpeza de intervenções que alteram o ecossistema. Retirar resíduos pode ser necessário, mas cortar vegetação, aterrar áreas ou abrir caminhos sem autorização pode provocar danos maiores. Qualquer obra ou intervenção em unidade protegida deve obedecer às normas ambientais e ao zoneamento aplicável.

Um patrimônio natural dentro da cidade

Os manguezais do Recife mostram que áreas naturais podem sobreviver em meio a uma metrópole quando há proteção legal, fiscalização, recuperação ambiental e participação social. O Parque Natural Municipal dos Manguezais Josué de Castro é, ao mesmo tempo, uma unidade de conservação, um espaço de pesquisa e educação e uma parte essencial da paisagem estuarina da cidade.

Conhecer esse patrimônio exige cuidado. A visitação, quando autorizada, deve priorizar a observação e o aprendizado, sem transformar o mangue em área de lazer convencional. A preservação depende de manter a vegetação, a qualidade da água, o fluxo das marés e a relação entre os rios e o oceano.

Para consultar a regulamentação da unidade, o visitante pode acessar o Decreto Municipal nº 25.565/2010. Informações gerais sobre áreas protegidas e patrimônio ambiental estão disponíveis no site oficial da Prefeitura do Recife.