domingo, 25 de outubro de 2026
Saúde

Dengue: cuidados dentro de casa ajudam a combater o mosquito em Recife

Eliminar água parada, manter reservatórios tampados e observar áreas internas e externas da casa são medidas importantes para combater o mosquito da dengue. Veja os principais cuidados e os sinais que exigem atendimento médico.

Os cuidados contra a dengue dentro de casa são uma das principais formas de reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. O inseto pode se reproduzir em pequenos recipientes com água parada, como pratos de vasos, garrafas, tampas, ralos, calhas e objetos deixados em áreas abertas.

Em Recife, a orientação é manter uma rotina de vistoria nos imóveis e no entorno. A combinação de calor e chuva pode favorecer a formação de criadouros, mas a prevenção deve ocorrer durante todo o ano. O Ministério da Saúde recomenda eliminar locais que acumulem água ou manter os reservatórios completamente fechados. (gov.br)

Por que a prevenção começa dentro de casa

O Aedes aegypti é um mosquito doméstico, encontrado dentro ou nas proximidades de residências, comércios, escolas e outros locais frequentados por pessoas. A fêmea procura recipientes com água para depositar os ovos, que podem dar origem a novos mosquitos quando encontram condições favoráveis.

Por isso, uma vistoria rápida e frequente ajuda a interromper o ciclo do inseto. A recomendação do Ministério da Saúde é reservar ao menos dez minutos por semana para verificar os pontos que podem acumular água. A inspeção deve incluir áreas internas, quintais, varandas, lajes, garagens e locais pouco utilizados. (gov.br)

O que verificar dentro de casa

Caixas-d’água, tonéis e baldes: os recipientes usados para armazenar água devem permanecer bem tampados. A tampa precisa estar ajustada, sem frestas que permitam a entrada do mosquito. Baldes e bacias que não estiverem em uso devem ser guardados virados para baixo.

Vasos de plantas: os pratos sob os vasos podem acumular água. Uma opção é preenchê-los com areia até a borda. Também é necessário retirar a água acumulada nas folhas e nos recipientes, além de lavar os pratos regularmente.

Ralos: ralos internos e externos devem ser mantidos limpos e, quando possível, protegidos com telas ou tampas. A limpeza semanal ajuda a evitar o acúmulo de resíduos e água em pontos de difícil visualização.

Bandeja da geladeira: a bandeja localizada na parte externa ou inferior do eletrodoméstico deve ser verificada e higienizada regularmente. Caso haja água acumulada, o líquido deve ser retirado e o recipiente lavado.

Filtros, bebedouros e recipientes de animais: potes de água de cães, gatos e outros animais precisam ser lavados com frequência, e não apenas abastecidos. A limpeza remove possíveis ovos que estejam aderidos às paredes do recipiente.

Garrafas, tampas e brinquedos: objetos que possam juntar água devem ser guardados em local coberto, descartados corretamente ou mantidos com a abertura voltada para baixo. Pequenos recipientes também podem se tornar criadouros.

Cuidados no quintal, na varanda e na laje

Áreas externas exigem atenção especial porque ficam mais expostas à chuva. Pneus devem ser guardados em local coberto e protegidos da água. Lonas usadas para cobrir móveis, entulhos ou outros materiais precisam ficar esticadas, sem formar bolsões.

Calhas devem ser limpas para evitar o acúmulo de folhas e sujeira. Lajes, ralos, canaletas e caixas de passagem também precisam ser vistoriados, especialmente depois de dias chuvosos.

Garrafas, latas, embalagens, tampas, sacos plásticos, brinquedos e outros objetos deixados no quintal devem ser recolhidos. O lixo precisa ser colocado em sacos fechados e mantido em lixeiras protegidas da chuva.

Piscinas devem receber manutenção adequada. Quando não estiverem em uso, precisam permanecer cobertas, sem formar bolsões de água sobre a lona. Plantas que acumulam água, como algumas bromélias e espécies de bambu, também devem ser observadas e limpas regularmente.

Como fazer uma vistoria semanal

A inspeção pode seguir uma sequência simples para evitar que algum ponto seja esquecido:

  • comece pelos cômodos internos e verifique ralos, bandejas, vasos e recipientes;
  • passe para a cozinha, a área de serviço e os locais de armazenamento de água;
  • observe varandas, quintais, garagens, lajes e áreas cobertas;
  • retire qualquer água acumulada;
  • lave os recipientes que tiveram contato com água;
  • guarde objetos sob abrigo ou com a abertura voltada para baixo;
  • mantenha caixas-d’água, tonéis e tanques vedados;
  • repita a verificação depois de chuvas intensas.

Quando não for possível eliminar um recipiente, ele deve ser mantido protegido e observado com frequência. Para depósitos grandes ou reservatórios de água para consumo, a orientação é buscar apoio de agentes de saúde quando houver necessidade de aplicação de larvicida. Produtos químicos não devem ser colocados por conta própria em água destinada ao consumo humano ou animal. (gov.br)

Telas, repelentes e outras formas de proteção

A eliminação de criadouros é a medida mais importante, mas outras ações podem reduzir o contato com o mosquito. Telas em portas e janelas ajudam a impedir a entrada do Aedes aegypti. Mosquiteiros também podem ser utilizados, especialmente para proteger crianças pequenas e pessoas que permanecem acamadas.

O mosquito tem hábitos preferencialmente diurnos, embora também possa picar à noite. Por isso, a proteção deve ser mantida ao longo do dia, principalmente em áreas com circulação do vetor.

Repelentes à base de icaridina, DEET ou IR3535 podem ser usados nas partes expostas do corpo, sempre conforme as instruções do rótulo e a faixa etária indicada. Em crianças menores de 2 anos, o uso de repelente deve ser orientado por profissional de saúde. Para crianças de 2 a 12 anos, é preciso observar a concentração permitida e o limite de aplicações recomendado pelo fabricante. (gov.br)

Inseticidas de uso doméstico devem ser aplicados conforme as instruções do produto e em ambientes ventilados. Eles não substituem a eliminação dos criadouros e não impedem que novos mosquitos surjam em recipientes com água parada.

O que fazer se houver suspeita de dengue

Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo, náusea, vômitos, perda de apetite e manchas vermelhas na pele. Em caso de suspeita, a pessoa deve procurar um serviço de saúde para avaliação.

Enquanto aguarda atendimento ou orientação profissional, é importante manter repouso e ingerir líquidos. A automedicação deve ser evitada, principalmente com medicamentos que possam aumentar o risco de sangramento. A escolha do remédio deve ser feita por profissional de saúde.

A pessoa com suspeita ou confirmação de dengue também deve evitar novas picadas. O vírus pode ser transmitido a outro mosquito quando o inseto pica uma pessoa infectada. O uso de telas, repelente, roupas que cubram o corpo e mosquiteiro ajuda a reduzir esse risco.

Sinais de alarme exigem atendimento rápido

Alguns sintomas indicam possível agravamento do quadro e exigem atendimento de urgência. Entre eles estão dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência ou irritabilidade, pouca urina, pele fria e úmida, queda da pressão arterial e dificuldade para respirar.

Os sinais de alarme podem aparecer quando a febre começa a diminuir. Por isso, a melhora da temperatura não significa necessariamente que o risco passou. Se houver qualquer sinal de agravamento, a orientação é procurar atendimento imediatamente. (sisaps.saude.gov.br)

Prevenção depende de toda a comunidade

O combate à dengue não termina no limite de um imóvel. Um recipiente com água parada em uma casa, terreno, comércio ou área comum pode contribuir para a circulação do mosquito na vizinhança. Por isso, moradores devem manter os próprios imóveis limpos e comunicar situações de risco aos responsáveis ou aos serviços públicos.

Em Recife, ações de controle e mutirões realizados pelo poder público reforçam a necessidade de vistoriar quintais, vasos de plantas, recipientes e locais que possam acumular água. A eliminação dos criadouros pela população complementa o trabalho dos agentes de saúde e ajuda a reduzir a proliferação do Aedes aegypti. (www2.recife.pe.gov.br)

A tarefa é simples, mas precisa ser contínua: retirar a água, lavar os recipientes, manter reservatórios fechados e repetir a inspeção toda semana. Com esses cuidados dentro e ao redor de casa, a população contribui para diminuir o risco de dengue, chikungunya e zika.

Fontes: Ministério da Saúde e Conecta Recife.